quarta-feira, 8 de junho de 2011

Geração sem título' de pequenos vascaínos não vê a hora de soltar grito de campeão

Torcer para o Vasco no final da década de 90, e começo do novo século, era exercício dos mais fáceis para os apaixonados por futebol. Sinônimo de títulos e grandes times, a camisa cruzmaltina colocada sobre o berço era como uma predestinação para os que chegavam ao mundo naquela época. Entretanto, sem a mesma sorte dos que assistiam aos maiores títulos da história do clube, Cláudio Júnior, Leonardo de Luca, ambos de 11 anos, e os irmãos Moroni, de 14, Cora, 12, e Rebeca Ramos, 9, não conseguiram vivenciar as mesmas glórias e formam, com outros tantos milhares, uma geração de vascaínos sem títulos, que aprendeu a conviver com decepções e só agora tem a possibilidade de entender o que era "aquele Vasco".

  • Pedro Ivo Almeida/ UOL Esporte

    Um dos mais procurados pelos jovens vascaínos Dedé posa para a foto com o pequeno Cláudio Jr.

  • Pedro Ivo Almeida/ UOL Esporte

    Rebeca (primeira à esquerda) foi à Curitiba com a irmão Cora e o irmão Moroni torcer pelo Vasco

"É a chance de uma felicidade que eu nunca tive. Um grande título. Já acompanhei várias vitórias, mas não tive a chance de ver aquele Vasco", afirmou Leonardo, que, apesar da pouca idade, sabe expressar bem o sentimento de uma geração inteira.

Com autoridade de quem acompanha todos os jogos do time, o pequeno torcedor não pensa duas vezes na hora de escolher um símbolo para a conquista que pode representar o renascimento de uma paixão, outrora escondida por fracassos.

"Não tem ninguém melhor que o Felipe para representar bem esse time. Ele ganhou tudo naquela época e agora volta para vencer de novo. Achei que nunca fosse ver um jogador daquele time, mas ainda bem que ele está aí. E o Juninho está voltando", avisa o carioca Leonardo, como se pudesse prever um futuro ainda mais promissor.

A paixão pelo time, que resiste ao tempo que for sem conquistas, também é capaz de manter viva uma tradição familiar. Inspirados pelo pai, vascaíno "doente", Moroni, Cora e Rebeca aguardam ansiosos a tão sonhada conquista da Copa do Brasil, para, enfim, justificar todo o esforço desprendido para ver o time de coração.

  • Pedro Ivo Almeida/ UOL Esporte

    Um dos símbolos da geração vitoriosa do final da década de 90, Carlos Germano, preparador de goleiros do atual time, retribuiu o carinho dos pequenos torcedores e "bateu uma bolinha" com o pequeno Leonardo de Luca, "figurinha carimbada" nos jogos do Vasco desde os tempos da segunda divisão, em 2009

"Independente de adversário e distâncias, sempre falamos com meu pai e arrumamos um jeito de ver o Vasco. Não somos daqui (Curitiba), viemos de Paranaguá e estamos fazendo de tudo para estar perto dos jogadores. É um esforço, mas a gente gosta (risos). Queremos esse título de qualquer maneira agora, tem que ser amanhã (quarta-feira)", enfatizou Moroni, o mais velho dos irmãos Ramos.

Último a deixar o Brasil Esporte Clube, em Curitiba, na última terça-feira, onde o time vascaíno realizou sua atividade derradeira antes da finalíssima, Cláudio Jr. compartilha os sonhos dos colegas vascaínos e espera, depois de tanto esforço, poder ver realizado o sonho de uma geração inteira.

"Falei com meu pai que tínhamos que estar aqui e ele concordou. Faltei aula, juntamos dinheiro, encaramos filas por ingressos e agora estamos aqui, pertinho de realizar o meu sonho", encerrou o menino cruzmaltino.

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